Alimentos transgênicos ferem direitos fundamentais do
consumidor
Síntese
Apesar de ainda não terem sido liberados para o consumo, estão sendo comercializados, no
Brasil, alimentos geneticamente modificados. O governo, por pura omissão ou equivocado
bom-samaritanismo, dispensou os fabricantes da apresentação de um estudo prévio dos
impactos que esses produtos podem causar sobre a saúde humana e o meio ambiente . Os
fabricantes, por sua vez, estão cometendo um crime: não estão anunciando nos rótulos
dos produtos, o fato de conterem ingredientes transgênicos, como determina o Código de
Defesa do Consumidor (CDC). Até agora essa conduta criminosa não recebeu punição
o CDC, em seu artigo 66, prevê detenção de três meses a um ano e multa em caso
de omissão, nos rótulos dos produtos em geral, de informação relevante ao consumidor.
O Instituto de Defesa do Consumidor aponta a existência, entre nós, de 9 produtos, de
grande consumo, com presença de transgênicos, mas nas prateleiras dos supermercados
desse Brasil afora pode estar um número bem maior de itens geneticamente modificados.
Dois desses produtos são consumidos por bebês. Pior: como os rótulos não trazem
qualquer advertência, só mesmo consumidores com espírito de Sherlock Holmes ou dotados
de uma bola mágica de cristal, vão conseguir evitar que os alimentos transgênicos,
ainda não identificado
Alimentos transgênicos - Texto integral
Para facilitar a compreensão desse tema complexo, grafamos em vermelho as expressões de
cunho técnico. Ao lado desta reportagem, está uma espécie de pequeno dicionário
explicando, em linguagem acessível, o significado desses termos.
Por Simone Silva Jardim, de São Paulo
Imagine a seguinte notícia: o pessoal da NASA acaba de descobrir, em algum ponto do
Universo, uma nova civilização. Detalhe: a souvenir que os ETs oferecem aos
terráqueos é uma verdadeira montanha de coisas que eles afirmam ser para
comer, mas se negam, terminantemente, a dizer do que é feito esses tais
alimentos, de aparência até muito atraente.
Responda: você participaria desse banquete de quitutes extraterrestres?! Talvez nem seja
preciso ir tão longe. Viagens feitas por aqui mesmo, em países considerados
exóticos por nós, ocidentais civilizadíssimos, sempre colocam
os turistas numa situação limite: os nativos insistem para que o estrangeiro prove de
seus melhores acepipes - caldeiradas de roedores, fritadas de besouros, sopa de cupim...
Mais uma vez a pergunta fatal: você comeria dessas coisas?! Aqui há a
vantagem de você saber exatamente o que vai deslizar por sua goela abaixo.
Alimentos transgênicos, atualmente nas versões soja e milho são, para dizer o mínimo,
um tipo de prato extraterrestre na alimentação humana e, até agora, nenhum
fabricante abriu o jogo sobre os reais efeitos desse novo ingrediente em nosso organismo.
E quem faz esse alerta não é nenhum ecochato de plantão.
No Reino Unido, um idôneo laboratório de pesquisa constatou que os alimentos feitos com
soja transgênica produziram reações alérgicas 50% maiores em seus consumidores. Há
cientistas que alertam para a possibilidade dos alimentos geneticamente modificados
criarem, no organismo humano, resistência aos antibióticos.
Transgênicos no Brasil Os produtos geneticamente modificados, ou simplesmente
transgênicos, já estão entre nós, nas prateleiras de supermercados e de lojas de todo
o País. Pior: sem qualquer tipo de advertência nos seus rótulos quanto ao fato de
conter ou poder conter essas substâncias, ferindo, frontalmente, um artigo fundamental do
Código de Defesa do Consumidor (CDC), que assegura o direito à informação - o CDC, em
seu artigo 66, prevê detenção de três meses a um ano e multa em caso de omissão por
parte do fabricante, nos rótulos dos produtos em geral, de informação relevante ao
consumidor.
Para se ter uma idéia, o IDEC Instituto de Defesa do Consumidor, submeteu a testes
31 produtos feitos à base de soja e milho 18 alimentos nacionais e 13 importados.
O movimento ecológico Greenpeace também divulgou recentemente mais produtos (veja quadro
ao lado).
Registre-se que todos os testes foram realizados pelo Laboratório Interlabor Belp AG,
localizado na Suíça. Trata-se do mesmo laboratório utilizado pelas organizações de
defesa de consumidores da Europa, que possui certificação e reconhecimento na área de
alimentos e, especificamente, em trabalhos com transgênicos.
Com esses testes, o IDEC quis mostrar que o consumidor brasileiro já está em
contato direto com os produtos transgênicos e que o governo está sendo duplamente
omisso: na fiscalização das importações de matéria-prima e produto acabado e,
também, por não punir a falta dessa informação nas embalagens, descumprindo o que
determina o Código de Defesa do Consumidor. Por sua vez, as empresas, por uma questão
ética, têm obrigação de informar o consumidor de que já estão usando transgênicos
em seus produtos, afirma Sezifredo Paulo Paz, médico veterinário e consultor
técnico do IDEC.
Processo desvirtuada Em 1995, foi criada, no Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança), órgão com funções consultivas e deliberativas, entre as
quais o estabelecimento de normas e regulamentos relativos às atividades e projetos do
que a lei e a ciência designam de OGM organismos geneticamente modificados.
Num primeiro momento, o IDEC integrou a CTNBio. Mas desde o início de seu
funcionamento, constatamos que havia um processo desvirtuado dentro dessa Comissão. Não
havia, e continua não havendo, hoje, um verdadeiro empenho da CTNBio na regulamentação
dos transgênicos, avaliação de seus riscos para a saúde humana e o meio ambiente e,
nem muito menos, de exigir dos fabricantes a rotulagem dos produtos geneticamente
modificados. Em 1997, o IDEC deixou a CTNBio e começamos a contribuir de outra forma,
fazendo um trabalho técnico mais consistente. Em 1998, entramos no âmbito judicial,
ajuizando a primeira ação cautelar pedindo a proibição da liberação, no Brasil, da
soja transgênica Roundup Ready, da Monsanto. Em seguida, ajuizamos uma ação civil
pública onde elencamos os possíveis riscos dos transgênicos aos consumidores. Ambas as
ações ainda estão correndo na Justiça, conta o consultor técnico do IDEC.
Segundo Paz, hoje os Ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia são
francamente favoráveis à liberação desregulamentada dos transgênicos, ou
seja, apóiam a dispensa dos fabricantes, por exemplo, da realização de EIA/RIMA, como
forma de apressar a chegada desses produtos ao mercado consumidor.
Já os Ministérios do Meio Ambiente e da Justiça estão exatamente no campo oposto:
exigem a regulamentação dos transgênicos e, dentro de suas competências, estão
exigindo o EIA-RIMA e a rotulagem específica desses produtos.
O Ministério da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária,
tem tido avanços e retrocessos nessa questão. Até agora não exigiram, dos fabricantes
um estudo consistente dos verdadeiros impactos desses produtos sobre a saúde
humana, destaca Paz.
Pseudociência - Certo é que se a CTNBio estivesse considerando seriamente esses 3
aspectos rotulagem do produto, EIA/RIMA e testes relativos aos efeitos
toxicológicos e alergênicos sobre o corpo humano, os transgênicos só poderiam ser
comercializados daqui a uns bons pares de anos no Brasil. Mas essa atitude seria um
traiçoeiro golpe contra os interesses dos fabricantes desses produtos, que investiram uma
dinheirama em pesquisa, sempre de olho no lucro fácil e rápido que teriam com a chegada
desses produtos na mesa do consumidor.
Os fabricantes administraram soja e milho transgênicos em animais por um período
extremamente curto. A iniciativa não condiz com as exigências de um verdadeiro estudo
toxicológico. Com o milho, sabemos que testes foram feitos só com camundongos
seriam necessárias, pelo menos, três diferentes espécies animais e a análise
durou aproximadamente oito dias. Tudo foi muito abreviado, com aval da própria CTNBio, e
o resultado final é que governo e fabricantes passaram por cima de aspectos científicos
e legais muito relevantes. Esse conjunto de procedimentos irregulares e
pseudocientíficos, evidenciam o quanto os fabricantes não querem dar informações ao
consumidor, denuncia o consultor do IDEC.
Mas esse conduta de desrespeito a um direito fundamental do consumidor o de ser
informado corretamente sobre os produtos que compra - não é um problema típico do
Brasil. Esse modelo de passar por cima de tudo e todos tem outro lugar de
origem, pelo menos no que se refere aos alimentos trânsgênicos.
Em 1992, nos Estados Unidos, o governo em conjunto com as empresas de biotecnologia
apostaram na desregulamentação dos transgênicos, um modelo muito favorável aos
interesses econômicos - os testes exigidos são sempre superficiais para agilizar a
entrada dos produtos no mercado -, mas completamente alheio ao princípio da precaução,
de alta relevância em questões vitais, como a saúde humana e o equilíbrio do meio
ambiente.
Indenizações - Nos países que compõem a União Européia, os consumidores mostraram
toda sua ira contra o jeitinho norte-americano de fazer as coisas e os
governos de lá tiveram de adotar controles mais rigorosos sobre os transgênicos.
A revanche do consumidor americano chegou mais tarde, mas também foi implacável contra
FDA e EPA, órgãos de controle sobre remédios, alimentos e meio ambiente, que sempre
gozaram de alto índice de credibilidade junto aos habitantes da terra do Tio Sam.
É que o alto escalão do FDA e EPA deram aval à liberação dos transgênicos,
assegurando que não havia riscos à saúde pública, apesar de outros cientistas, também
integrantes dos quadros do FDA, indicarem que os testes até então realizados eram
insuficientes e os estudos só resultariam em conclusões seguras dentro de alguns anos de
pesquisa (veja box Cientistas contestam aprovação do FDA).
Hoje, sabe-se que é real o risco dos produtos geneticamente modificados sobre a saúde
humana e o meio ambiente, e tudo leva a crer que esse risco não é pequeno . Em razão da
quebra da relação de confiança, norte-americanos individualmente e através de
organizações não-governamentais que reúnem cientistas ou que representam interesses de
consumidores, estão levando FDA e EPA às barras dos tribunais, exigindo altas
indenizações por terem tido sua boa-fé ludibriada por laudos precipitados.
Em palestra pública, ocorrida nos EUA, em novembro do ano passado, Steven Drucker,
diretor executivo da Alliance for Bio-Integrity fez a seguinte declaração:
"Numerosos especialistas têm criticado a política do FDA por ser falha
cientificamente. Mais: nove desses especialistas entendem que ela é tão falha e
irresponsável que decidiram dar um passo sem precedentes, tornando-se litigantes no
processo judicial que a minha organização está liderando para instituir testes
rigorosos obrigatórios para avaliação de todos os alimentos geneticamente
modificados. declarou Drucker (veja box: Cientistas contestam aprovação do FDA)..
Cidadão alerta - A sociedade brasileira tem de estar muito atenta a questão dos
transgênicos, pressionando para que se respeite o tempo necessário, que é longo,
exigido para a realização de todos os testes necessários, e não de forma superficial e
pseudocientífica como se está fazendo na CTNBio, alerta Paz.
Ressalte-se que os transgênicos representam uma mudança radical na história da
alimentação humana, absolutamente sem precedentes.
Já temos riscos suficientes nos alimentos hoje em circulação, que ainda não são
totalmente conhecidos. Sabemos que quando introduzimos alimentos circunscritos a
determinadas regiões em outras partes do globo, há sempre uma reação orgânica
adversa. A fruta kiwi, quando foi introduzida no Ocidente, causou muitas alergias às
pessoas e não se trata de um transgênico. Queremos cautela, controle e,
fundamentalmente, que a engenharia genética venha para agregar benefícios, porque riscos
nós já temos o suficiente, tanto em alimentos como na questão ambiental, conclui
Cezifredo .
Quadro Estes produtos contêm transgênicos:
Os 31 produtos analisados pelo IDEC foram selecionados nas praças de São Paulo e
Curitiba, todos de grande consumo e apresentando ingredientes transgênicos em diferentes
níveis de ocorrência.
O índice mais elevado, 8,7%, foi encontrado no salgadinho sabor bacon BacOs. Em
seguida aparece a sopa sabor creme de milho Knorr (4,7%), o macarrão instantâneo sabor
galinha Cup Noodles (4,5%), salsichas tipo Viena Swift (3,9%), ProSobee (1,9%), Cereal
Shake Diet sabor morango (1,5%), leite Supra Soy (0,7%), Nestogeno com Soja e Soy Milke
(ambos com menos de 0,1%). O
O Greenpeace divulgou uma nova lista de produtos contendo grãos transgênicos - soja da
Monsanto e milho da Novartis. A amostra foi coletada na cidade de São Paulo. Os produtos
são: sopão de galinha Knorr, canja Pokemón da Arisco, Ovomaltine Cereais e Fibras e
mistura para bolo sabor chocolate da Sadia. Registre-se que a Knorr é reincidente. O
teste com sua sopa de milho verde, patrocinado pelo IDEC, também continha grão
transgênico.
BOX 1
Cientistas contestam aprovação do FDA
Abaixo publicamos mais um trecho do depoimento
de Steven Drucker, que aparece em nossa reportagem principal. Aqui, ele destaca trechos
dos inúmeros memorandos que cientistas do FDA expediram contra a liberação dos
transgênicos. Se você quiser saber mais, entre no portal do IDEC: www.idec.org.br
Embora os informes oficiais do FDA ignorem os riscos dos alimentos geneticamente
modificados, seus próprios cientistas estão bem informados sobre os mesmos. Isto veio a
público quando o FDA foi obrigado a nos entregar cópias dos seus arquivos internos.
Memorandos após memorandos contêm alertas sobre os notáveis perigos dos alimentos
geneticamente modificados.
Como o microbiologista do FDA, Dr. Louis Pribyl alertou: "Há uma profunda diferença
entre os tipos de efeitos inesperados do cruzamento tradicional e da engenharia
genética." Ele adicionou que diversos aspectos de inserção de gene"(...)
podem ser mais perigosos. Similarmente, Dr. E.J. Matthews do Grupo de Toxicologia do FDA
avisou que "(...) plantas geneticamente modificadas podem (...) conter altas
concentrações de toxinas (...)".
O Diretor do Centro de Medicina Veterinária (CVM) alertou que alimentos para animais
derivados de plantas geneticamente modificadas apresentam preocupações únicas de
segurança alimentar e animal." Ele expôs que resíduos de substâncias imprevistas
podem tornar carne e leite em produtos danosos para humanos.
E o chefe da Seção de Química Orgânica e Biológica repreendeu burocratas da agência
por virar de cabeça para baixo as políticas prioritárias numa tentativa de igualar
alimentos transgênicos com suas contrapartes convencionais. Ele também destacou que a
falta de evidência definitiva que um alimento transgênico seja perigoso não é uma
garantia de que ele é seguro, assinalando que "neste momento, a ignorância não é
motivo de satisfação".
A Dra. Linda Kahl, responsável por aprovações no FDA, protestou afirmando que a
agência estava '... tentando colocar um quadrado em um buraco redondo (...) ao tentar
forçar uma conclusão de que não há diferença entre alimentos geneticamente
modificados e alimentos obtidos por práticas tradicionais ."
A luz desses riscos sem igual, cientistas do FDA aconselharam que alimentos transgênicos
deveriam passar por testes especiais. A Divisão de Química e Tecnologia advertiu,´'...
alguns efeitos indesejáveis como o aparecimento de toxinas novas e não previamente
identificadas... Cada avaliação deveria ser desenvolvida caso a caso, i.e., todo
alimento modificado deveria ser avaliado antes da entrada no mercado.' Estes especialistas
alertaram que a avaliação deveria incluir testes toxicológicos.
Não só a agência estava ciente das incertezas dentro da sua própria equipe, e também
sabia que havia considerável discordância sobre a segurança dos alimentos transgênicos
na comunidade científica. Por exemplo, o Coordenador de Biotecnologia do FDA, Dr. James
Maryanski, reconheceu em uma carta para um órgão do Canadá em 23 de outubro de 1991 que
não houve um consenso científico sobre a segurança dos transgênicos. Ele também
admitiu 'Eu creio que a questão do potencial para algumas substâncias em causar
reações alergênicas é particularmente difícil de predizer.'
BOX 2
Riscos dos transgênicos para os consumidores
A engenharia genética pode trazer muitos avanços
na qualidade e valor nutritivo dos alimentos, mas não se pode fazer vista grossa sobre os
produtos oriundos dessa técnica, que possui um potencial de criar riscos únicos e
imprevisíveis à saúde humana e ao meio ambiente.
Cientistas gostam de brincar de deuses na Terra, mas a maioria deles dá
mostras inequívocas de que realmente entendem muito menos sobre genética do que tentam
nos fazer crer. Mas quem, dentro desse seleto grupo de semi-homens/semi-deuses teria
coragem para assumir toda essa precariedade?
O Dr. Charles Rick, talvez a maior autoridade
mundial em tomates, tem essa coragem, Sem rodeios, ele afirma alto e bom som: "É
importante manter na lembrança que, enquanto ficamos mais habilidosos em DNA
recombinante, nós ainda não sabemos como os genes trabalham, e, quanto mais descobrimos
sobre genes, menos simples o seu comportamento parece ser".
O consumidor quer saber - e tem todo o direito de saber - das mudanças introduzidas nos
produtos que vão para sua mesa.
Cientístas que trabalham com engenharia genética - e que não são dependentes crônicos
dos holofotes da grande mídia -, não cansam de registrar em seus artigos que ainda
estamos a um longo caminho de entender completamente como um genótipo (uma combinação
particular de genes) é traduzido em um fenótipo (um organismo vivo de verdade). O que se
dirá os reais riscos dos transg6enicos ...
Nesse terreno, todo o cuidado é pouco para que se assegure, efetivamente, três direitos
fundamentais de todo consumidor: direito à informação precisa nos produtos à sua
disposição, direito a um meio ambiente saudável e, finalmente, o direito de escolha,
escolha por um tipo de vida em sociedade que zere os riscos desnecessários
para a atual geração e também para as que estão por vir.
BOX 3
O que significam os termos usados nesta reportagem
Alimentos transgênicos ou geneticamente modificados: são alimentos compostos ou
-derivados do uso de- organismos geneticamente modificados (OGMs).
CTNBio A Lei 8.974/95 exigia a estruturação da CTNBio, sigla que designa a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança e o Decreto 1.752/95 veio regulamentar sua
criação. A CTNBio está vinculada à Secretaria Executiva do Ministério da Ciência e
Tecnologia. Já o Decreto 1.520/95 estabeleceu a competência dessa Comissão, com
funções consultivas e deliberativas. Merecem ser ressaltadas as seguintes competências:
estabelecimentos de normas e regulamentos relativos às atividades e projetos relacionados
a organismos geneticamente modificados (OGM); classificar os OGMs segundo o seu grau de
riscos; emitir parecer técnico prévio conclusivo sobre registro, utilização e
comercialização de produto contendo OGM ou derivado, enviando-o ao órgão competente;
emitir Certificado de Qualidade em Biossegurança etc.
EIA/RIMA Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental
Estudos a serem feitos por empresas, instituições ou especilistas, devidamente
credenciados, que avliem os efeitos dos dos produtos transgênicos e OGMs em geral. A
obrigatoriedade de EIA/RIMA foi instituída pela Resolução 001/86 do CONAMA
Conselho Nacional de Meio Ambiente, que concede acesso público aos estudos, respeitados
eventuais sigilos industriais do projeto. ACTNBio, em certos caso, vem dispensando os
fabricantes dessa exigência, prevista em nossa Lei Maior, a Constituição federal de
1988, em seu artigo 225.
Efeitos toxicológicos e alergênicos - Há uma série deles, dos quais destacamos os
principais:
1) aumento das alergias: o(s) gene(s) de uma espécie que causa alergia, ao ser
transportado para outra espécie, poderá provocar a transferência desta característica.
Um caso real ocorrido nos Estados Unidos: pessoas alérgicas à castanha-do-pará comeram
produtos contendo a soja transgênica com gene de castanha-do-pará e também
experimentaram as mesmas reações alérgicas. Haverá, portanto, aumento dos casos de
alergia na população mundial.
2) desenvolvimento de resistência bacteriana: são usados nos alimentos genes marcadores
resistentes a um determinado antibiótico, o que pode conferir a capacidade do produto de
produzir uma enzima que inativa o medicamento quando ingerido oralmente;
conseqüentemente, haverá maior resistência dos microorganismos aos antibióticos. 3)
potencialização dos efeitos de substâncias tóxicas: muitas plantas possuem
substâncias tóxicas naturais para se defender de seus inimigos naturais -os insetos, por
exemplo; se manipulados geneticamente, os níveis dessas toxinas podem aumentar. 4)
aumento de resíduos de agrotóxicos: alguns dos produtos transgênicos têm como
característica se tornarem resistentes aos efeitos dos agrotóxicos -é o caso da soja
transgênica "roundup ready", resistente ao herbicida roundup-, o que permite
que seja aplicado mais veneno (agrotóxico) na plantação, cujos resíduos permanecerão
nos alimentos e poluirão os rios e o solo.
Engenharia Genética: é a atividade de manipulação de moléculas DNA/RNA recombinante.
Discute-se nos meios acadêmicos a adequação do termo "engenharia" quando se
trata de atividade como a manipulação genética, pois esta não é exata -isto é, não
é possível calcular todos os seus resultados.
IDEC Em julho passado, o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), com sede na
cidade de São Paulo, completou 13 anos de existência independente, sustentado por seus
40 mil associados que ao valor irrisório de R$ 51,00 (taxa anual) contam com uma série
de vantagens oferecidas pela entidade. A entidade é referência de credibilidade e defesa
dos consumidores no Brasil. Conta com o apoio do CNPq, Finep, BID, Fundação Ford entre
outros. O IDEC é membro pleno e integra o Conselho da Consumers International,
organização que congrega, mundialmente, as associações de defesa do consumidor.
Portal: www.idec.org.br E-mail: idec@uol.com.br Tel: (11) 3872-7188
Modificação Genética: são técnicas que incluem DNA recombinante, introdução direta
em um organismo de material hereditário de outra espécie -incluindo micro-injeção,
micro-encapsulação, fusão celular e técnicas de hibridização- com formação de
novas células ou novas combinações genéticas, de maneira que não ocorre naturalmente.
Organismos Geneticamente Modificados (OGM): são definidos como organismos que tenham sido
alterados geneticamente por métodos ou meios que não ocorrem naturalmente.
_______________________________________________________
Fonte: IDEC e outros glossários
Box 4
Para saber mais
Transgênicos e Legislação de referência
Constituição Federal (especialmente o artigo 225)
Biossegurança
Lei de Biossegurança - Lei nº 8.974/95
Decreto nº 1.752/95 (regulamenta a Lei de Biossegurança)
Instruções Normativas da CTNBio (consultar: http://ftp.mct.gov.br/ctnbio/ctnbio.htm)
Proteção do consumidor
Código de Defesa do Consumidor - Lei nº 8.078/90 (especialmente, artigos 6º, II e III,
9º, 31, 66)
Proteção ambiental
Lei da Política Nacional do Meio Ambiente - Lei nº 6.938/81
Lei dos Crimes Ambientais - Lei nº 9.605/98
Resolução CONAMA nº 01/86
Resolução CONAMA nº 237/97
Outras
Lei de Patentes - Lei nº 9.279/96
Lei de Proteção de Cultivares - Lei nº 9.456/97
Fonte: IDEC
Box 5
Onde obter maiores informações sobre o assunto
Www.sbpcnet.org.br
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Www.greenpeace.org/~geneng
Associação Greenpeace
Http://www.ufrj.br/consumo
Laboratório de Consumo & Saúde - Faculdade de Farmácia - UFRJ
www.ibd.com.br
Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural
www.rafi.org
Rural Advancement Foundation International
www.psrast.org
Physicians and Scientists for Responsible Application of Science and Tecnology
www.panna.org/panna
Pesticide Action Network North America
www.purefood.org
The Campaign for Food Safety
www.antenna.nl.aseed
A Seed Europe
www.anth.org/ifgene
International Forum for Genetic Engineering
www.biotechcentury.org
The Biotech Century
www.princeofwales.gov.uk/forum
Fórum aberto do príncipe Charles para discussão do tema
http://monsanto.vigil.net
Watching Monsanto
Obra: "O Século da Biotecnologia", Jeremy Hifkins, ed. Makro, 1999
Obra: "Da Lavoura às Biotecnologias", Goodman, D., Sorj, B. e Wilkinson, J.,
ed. Campus, 1990
Fonte: IDEC
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