Cidadania Ambiental

Consumo Ssutentável
Necessária – e saudável - mudança de hábitos


Por Simone Silva Jardim

Com pequenas atitudes no cotidiano, é possível ajudar o planeta e. ainda, economizar no orçamento doméstico. Veja as dicas do Guia do Consumo Sustentável, do IDEC, à disposição dos interessados na Internet, sem qualquer custo.

Por mais que se esforcem, cientistas e seus cérebros privilegiados estão longe, mas muito longe ainda, de (re) inventar a maior parte do que está por cima e embaixo da Terra: água cristalina, ar puro, petróleo, florestas, só para ficar nos exemplos mais evidentes porque imprescindíveis para a sobrevivência da atual civilização.
Esta certo: dos laboratórios das grandes potências econômicas têm saído alguns “produtos” até muito atraentes. Por um certo tempo, até conseguem nos fazer crer que, afinal, o animal humano está dominando o saber da Natureza. Entre esses “produtos” vaidosamente exibidos, estão ovelhas e cabras clonadas, super-sementes, combustíveis capazes de turbinar até um velho Fusquinha, bebês com o sexo e a cor de olhos tão sonhadas pelos pais...
Lá na frente, como já se constata com os alimentos transgênicos, os inúmeros “defeitos de fabricação” dessas e outras engenhocas começam a aparecer. O homem, minimamente maduro, pára então de acreditar nesses Contos de fadas – ou seriam contos de vigário?! – tão alardeados por seus criadores. E graças a esses insucessos, a humanidade refaz seu mergulho na dura e crua realidade e recupera sua visão. É novamente capaz de enxergar que os recursos naturais são finitos e provavelmente, ainda por muitas gerações, absolutamente insubstituíveis pela mão humana.
Água, ar, alimentos, combustíveis, florestas, enfim, tudo o que é vital para nossa sobrevivência, para nãose esgotar, precisa ser usado com racionalidade. Trocando em miúdos, é inadiável que cada um de nós promova uma saudável mudança de hábitos no cotidiano, um exercício que vai colocar “em forma” todo planeta.

Primeiros passos da mudança - "As pessoas precisam perceber que depende também de nós, consumidores, o futuro do planeta. Precisamos fazer mais do que pressionar e exigir das autoridades medidas para a preservação da natureza ou boicotar produtos de empresas poluidoras: é necessário que as pessoas mudem suas atitudes cotidianas e entendam que não terão de fazer nenhum sacrifício. Muito pelo contrário, é um grande prazer saber que você está contribuindo para preservar nosso ambiente e, assim, economizar no presente e ajudar a garantir a manutenção das gerações futuras", afirma Othon Abrahão, coordenador técnico do IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor.
Quer trilhar esse caminho? Os primeiros passos dessa jornada estão no Guia do Consumo Sustentável, trabalho realizado pela equipe do IDEC. Por enquanto, o texto só está disponível na versão digital – basta entrar no portal www.idec.com.br e fazer uma cópia, sem qualquer custo. O Ministério do Meio Ambiente vai viabilizar, em breve, a versão impressa desse trabalho.
Em linguagem clara e acessível, o Guia do Consumo Sustentável do IDEC se baseia nas principais propostas da Agenda 21, documento preparado durante a Eco-92, no qual os chefes de Estado dos principais países se comprometeram a elaborar e colocar em prática uma série de medidas para proteger o meio ambiente. Veja ao lado uma pequena amostra do Guia do IDEC.
“Esse trabalho recebeu algumas críticas, de pessoas que acreditam que deveríamos ter enfocado o consumo sustentável em toda a sua complexidade. Nosso objetivo, num primeiro momento, é o de tirar esse caráter de dever, de coisa pesada, que envolve essa questão. Mostrar, com bom humor, as atitudes que fazemos sem pensar, como se empolgar nas compras do supermercado e trazer para casa mais do que se vai consumir, prestar atenção no fechamento das torneiras, não deixar que alimentos estraguem na geladeira, evitar os longos banhos de chuveiro porque a operação de lavar o corpo é rápida”, destaca Othon.
E conclui: “Esses hábitos são fáceis de serem mudados porque não envolvem gastos a mais, ao contrário, ajudam no equilíbrio do orçamento doméstico. Achamos importante estimular a adoção de uma postura consciente no cotidiano para preservar os recursos naturais, sem deixar de satisfazer as necessidades básicas humanas".

Nova área de atuação – No planejamento estratégico de suas futuras ações, o IDEC prevê encampar duas novas diretrizes: a responsabilidade social e o consumo sustentável. “Nessa última diretriz nós já estamos começando a atuar mas, no Brasil, ainda faltam dados ambientais consistentes e formas eficazes para sua verificação. A simples consulta às empresa não é eficiente
porque não temos meios de confrontar o que afirmam nos questionários. Hoje, isso limita o alcance do nosso trabalho. Mas num futuro próximo, pretendemos incluir em nossos testes aspectos ambientais dos produtos e serviços analisados para que essas informações pesem na escolha do consumidor. Assim, ele vai poder optar, por exemplo, por um produto que polui menos ou que ofereça um tempo maior de vida útil”, explica Othon.
Mas atenção: todas essas orientações, incluindo as dicas do Guia do Consumo Sustentável, não devem ser utilizadas, egoísticamente, pelo consumidor. Explica-se.
“Um dos princípios do consumo sustentável é a visão solidária e não individualista. Mais do que economizar água, luz, combustível, os consumidores devem lutar juntos para conquistar um melhor transporte público, a construção de ciclovias, uma coleta seletiva que realmente funcione. Sempre pensar no ambiente como um todo e para todos”, destaca Othon.

Consumidor pró-ativo - Engana-se quem pensa que o IDEC aposta no tratamento paternalista do consumidor brasileiro. Ao contrário, a entidade tem por objetivo formar o que Othon chama de consumidor pró-ativo, ou seja, aquele que tendo a consciência de seu poder, exerce com altivez seus 3 diretos básicos: direito à informação – de obter todos os dados relevantes dos produtos e serviços de consome; direto à escolha – de não ser vítima de cartéis ou de compras casadas, por exemplo; e direto a um meio ambiente saudável.
“Por isso, incentivamos o consumidor a ligar para os serviços 0800 dos fabricantes, escrever para a empresa pedindo relatórios que garantam o que está nos rótulos dos produtos. Por exemplo, pedir a empresa provas que demonstrem que seu produto é biodegradável. Se no rótulo o fabricante indica que é destinada certa quantia a entidade assistencial, verificar a veracidade dessa afirmativa e se a o valor dado não é irrisório, incapaz de representar uma ajuda real, sendo apenas estratégia de marketing.
O setor econômico tem que respeitar o consumidor e não apenas temê-lo, por ter levado seu problema à imprensa. No Brasil, essa atitude pró-ativa começou com os transgênicos, o consumidor começou a colocar em prática seu direito à informação, à escolha e a um meio ambiente saudável.
Para saber mais:

IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), com sede na cidade de São Paulo e 13 anos de existência independente. É mantido por seus 40 mil associados, que ao valor irrisório de R$ 51,00 (taxa anual) contam com uma série de vantagens oferecidas pela entidade.

Portal: www.idec.org.br
E-mail: idec@uol.com.br
Tel: (11) 3872-7188

(BOX)

Uma pequena amostra, exclusiva para os leitores da Folha do Meio Ambiente, do Guia do Consumo Sustentável, do IDEC. Veja a íntegra desse trabalho no portal www.idec.com.br Faça cópias e espalhe entre amigos, na empresa em que trabalha, na comunidade onde vive.

ÁGUA
Hoje, metade da população mundial (mais de 3
bilhões de pessoas) enfrenta problemas de abastecimento de água. 97% da água existente no planeta Terra é salgada (mares e oceanos), 2% formam geleiras inacessíveis e, apenas, 1% é água doce, armazenada em lençóis subterrâneos, rios e lagos. Pois, bem, temos apenas 1% de água distribuída desigualmente pela Terra, para atender a mais de 6 bilhões de pessoas (população mundial).
Uma pessoa consome, em média, por dia cerca de 250 litros (isto mesmo, 250 litros ou mais, por dia): banho, cuidados de higiene, comida, lavagem de louça e roupas, limpeza da casa, plantas e, claro, a água que se bebe. Dá para viver sem água? Não dá. Então, a saída é fazer um uso racional deste recurso precioso.
LIXO
Enquanto a água pode nos faltar, o lixo sobra.
Assim, nos restam as alternativas: evitar produzir lixo, reaproveitar o que for pos-sível e reciclar ao máximo. Como fazer tudo isso? Aqui vai uma boa dica: aproveitar melhor o que compramos, escolhendo produtos com menor quantidade de embalagens ou redescobrir antigos costumes como, por exemplo, a volta das garrafas retornáveis de bebidas (os velhos cascos) ou das sacolas de feira para carregar compras

NO BANHEIRO
? O chuveiro elétrico é um dos aparelhos que mais consome energia, o ideal é evitar seu uso em horários de maior consumo (de pico): entre 18h e 19h30min e, no horário de verão, entre 19h e 20h30min;
? Jamais escove os dentes ou faça a barba com a torneira aberta;

GELADEIRA/FREEZER
? Na hora de comprar, leve em conta a eficiência energética certificada pelo selo Procel – Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica;
? No inverno, a temperatura interna do refrigerador não precisa ser tão baixa como no verão. Regule o termostato
Seu Lixo
? Não jogue lixo nenhum na rua. Além de enfeiar os lugares, traz sérios problemas às cidades nas épocas de chuva, entupindo bueiros e estrangulando corredores de água;
? Aproveite integralmente os alimentos. Muitas vezes, talos, folhas, sementes e cascas têm grande valor nutritivo e possibilitam uma boa variação no seu cardápio;
? Utilize os dois lados da folha de papel para escrever ou imprimir e, para rascunhar, reduza os espaçamentos, os tamanhos de letras e margens, aproveitando melhor a área do papel;
? Leve sacola própria para fazer suas compras, evitando pegar as sacolas plásticas fornecidas nos supermercados.
? Escolha produtos que utilizem pouca embalagem ou que tenham embalagens reutilizáveis ou recicláveis - potes de sorvete, vidros de maionese, etc;


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